Liberdade de pensamento
Item requisitado e presente nas línguas ferozes de oprimidos, essa expressão tem aceitação majoritária de que deve ser aplicada na prática para todos. É fato que isso não acontece em plenitude senão não seria conclamada, então pode-se dizer que há liberdade de pensamento?
Vale destacar antes de começarmos a discussão que quando se fala em liberdade de pensamento falamos implicitamente da liberdade de expressão (conseqüência natural) e da prática de tais liberdades. Sendo assim, o questionamento prático de reflexão é: Há realmente a liberdade de pensamento, de expressão? Há possibilidade – não por limitações intelectuais, mas por limites impostos externamente – de se expressar todo pensamento?
Antes de tratarmos sobre a reflexão da questão, tratemos sobre a definição do termo. Liberdade é usualmente definida através de duas asserções: (a) capacidade de fazer ou deixar de fazer algo, é o que chamamos de livre-escolha, livre-arbítrio, ou ainda, define-se liberdade como (b) praticar tudo aquilo que não é proibido por lei. Duas definições contraditórias, tentemos fazer uma intersecção para que haja um conceito razoável. A primeira definição (a) afirma que ser livre é poder escolher entre por exemplo matar ou não matar, roubar ou não roubar. Se isso é considerado liberdade como podemos privar alguém do direito de ir e vir – faceta da liberdade – se a pessoa se utilizou do próprio fato de ser livre? É bem incoerente. Já a segunda definição (b) restringe a liberdade a fazer somente aquilo que é imposto, ora, se assim for, a liberdade poderia ser chamada de imposição de ações ditadas por lei.
Aparentemente é impossível encontrar o ponto de intersecção entre essas duas definições, no entanto, uma união subliminar pode nos levar a seguinte definição: capacidade de escolha através e somente pelo conhecimento.
A assertiva (a) é muito simplória pois restringe o conhecimento – necessário e complementar do elemento escolha – a fazer ou não fazer, eliminando a possibilidade de uma terceira provável escolha, advinda da capacidade dada pelo saber. A fragilidade da assertiva (b) está no seu caráter restritivo, palavra inclusive usada para determinar o oposto de ser livre. Sendo assim, definir liberdade como escolha por itens que virão através do conhecimento é uma definição plausível, desde que o saber não esteja limitado a um único item.
Talvez o pensamento dualista seja o grande responsável pela minimização da busca pela sabedoria. Só nos resta duas escolhas: ser ou não ser, em nenhum momento não podemos simplesmente sermos e não sermos ao mesmo tempo? Existe uma outra forma de pensar além da dualista. Não vejamos isso como desculpa para usarmos a liberdade acima do senso-comum, afinal de contas ter sabedoria ou conhecimento para escolher nem sempre nos leva a uma terceira opção mas, pode fazer com que tenhamos conhecimento suficiente para escolhermos entre o ser e o não ser.
Tratemos pois, da liberdade de pensamento em termos práticos. A pergunta já feita é: ela realmente existe? Ou a sociedade nos impõe conhecimentos limitados para restringir nossas escolhas? Mais uma vez a História nos mostra algo valioso: restringir a capacidade de escolha através da educação não é algo usado somente em tempos remotos, onde eram os nobres que detinham o poder do saber, mas é algo que acontece na sociedade de hoje não somente brasileira, mas mundial.
Governos totalitaristas se impõem de forma a proibir qualquer pensamento contrário ao estatal. Organizações, das micro as macroscópicas impostam em alta voz suas formas de pensar ao invés de apresentar as idéias para que a própria pessoa possa escolher. Um exemplo próximo foi o período ditatorial militar brasileiro, os militares perguntavam “para quê querem liberdade?”, pergunta ótima para todos aqueles que buscam e lutam por ela. Se ser livre é escolher, não existe a possibilidade de alguém não escolher?
Infelizmente alguns trocam o conceito de pensar livremente pela prática de impor o pensamento livre. O cerne em ser livre para pensar está em expressarmos isso. Nem sempre por mais libertários que formos, conseguiremos expressar o pensamento pois ele pode ser prejudicial. Então, a liberdade total não fica restrita somente por impostação da voz alheia, mas também por bom-senso da voz interna. Expressar o pensamento livre é saber respeitar o livre-pensar dos outros.
Obrigado ao responsável por esse texto cujo codinome é Político...
segunda-feira, 26 de abril de 2010
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